A covid-19 mata?

Em casos graves, sim. Felizmente, eles são a minoria. Em Wuhan, a cidade chinesa onde a pandemia começou, o novo coronavírus matou 1,4% das pessoas infectadas – ou seja, menos que dois a cada 100. O número de Wuhan é particularmente importante, porque lá a doença foi controlada, o que permite um cálculo mais preciso.

Por outro lado, na Itália, o coronavírus está matando aproximadamente um a cada dez doentes. O fato de a população italiana ser, estatisticamente, mais velha do que a chinesa, pode ajudar a explicar. Mas os cientistas ainda não têm certeza. Outro fator relevante foi a demora do governo italiano para impor medidas de confinamento da população, como o fechamento de escolas e do comércio – o que também está acontecendo no Brasil.

No final de março, a taxa de mortalidade global do novo coronavírus era de 4,7% – ou seja, quase cinco pessoas a cada 100 infectados. Mas o número está longe de ser definitivo, pois nem todos os doentes são testados (principalmente os que são assintomáticos ou cujos sintomas são leves), e isso varia muito entre os países.

No Brasil, a taxa no início de abril era ligeiramente inferior à global: 4,2%. Ainda assim, era a oitava maior do mundo. Também é um número maior do que o da gripe comum e comparável ao da dengue no Brasil. Mas lembre-se de que a covid-19 ainda não tem tratamento eficaz nem vacina e, por isso, já matou mais do que dengue, sarampo e H1N1 combinados no ano passado.

Se a mortalidade não é mais alta do que a da dengue, por que precisamos nos isolar em casa?

O novo coronavírus é altamente contagioso – e não precisa de um mosquito no meio do caminho. Pior: como os sintomas demoram até duas semanas para aparecer, podemos transmitir o vírus para muita gente enquanto ainda nos sentimos saudáveis. Isso já é uma certeza: dois a cada três novos casos do coronavírus foram transmitidos por alguém que tem o vírus e não sabe, pois não tem nenhum sintoma.

Ou seja – mesmo que você se sinta bem, pode espalhar o novo coronavírus. Por isso, é melhor ajudar a prevenir novos casos seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde e evitando ao máximo o contato social. Quem puder, deve ficar em casa.

Mas para que prevenir novos casos se a maioria deles não precisa de tratamento?

Mesmo que a maioria dos casos não precise de tratamento, cerca de 20% precisam. E 20% de muita gente contaminada ainda é gente suficiente para sobrecarregar hospitais, pronto-socorros e postos de saúde. Isso é particularmente grave em locais com uma estrutura de saúde precária, como o Rio de Janeiro, ou com poucas vagas em unidades de terapia intensiva, as UTIs, como o Brasil em geral.

Tire um minuto e assista a essa série de vídeos produzida pelo jornal The Washington Post, disponível em português. Ela explica a necessidade de fazer o que os especialistas chamam de “achatar a curva” de proliferação da doença.

É só uma gripezinha?

Não! O vírus H1N1, o da gripe suína, matou 796 pessoas em 2019. Desde que chegou ao Brasil, em fevereiro, o novo coronavírus matou quase 2 mil pessoas até meados de abril, segundo o Ministério da Saúde.

O novo coronavírus mata ao causar a inflamação e o entupimento dos minúsculos sacos de ar que temos em nossos pulmões e que são responsáveis por suprir o oxigênio necessário ao organismo.

Mas não é só. Médicos ao redor do mundo estão observando casos graves em que o novo coronavírus provocou inflamações no coração, doença renal aguda, mau funcionamento neurológico, trombose venosa e danos ao fígado e ao intestino, relata o Washington Post. São complicações que dificultam a recuperação dos doentes graves e podem ter efeitos duradouros.

Como o novo coronavírus é transmitido?

Segundo o Ministério da Saúde, qualquer pessoa que tenha contato próximo (qualquer distância inferior a dois metros já é suficiente) com alguém com o novo coronavírus pode ser contaminado.

A transmissão do coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, fluidos de espirros, tosse ou catarro.

Por exemplo: alguém não sabe que está com coronavírus e coça o nariz, contaminando a mão com uma quantidade muito pequena de secreção nasal. Sem perceber, essa pessoa cumprimenta outra com um aperto de mão. Aí, a segunda pessoa coça o olho com a mão que usou para apertar a do amigo. Pronto: ela colocou o coronavírus dentro de seu corpo.

Um estudo recente, publicado no começo de abril e realizado com pacientes alemães, indica que a transmissão é muito fácil nos primeiros dias de infecção, quando os sintomas são leves e às vezes nem incluem febre.

O contágio também pode acontecer quando alguém entra em contato com uma superfície tocada anteriormente por uma pessoa infectada. É por isso que, em Wuhan, cidade onde surgiu a covid-19, alguns prédios estão desinfetando elevadores e cobrindo seus botões com plástico filme, trocado constantemente. O vírus pode sobreviver por até três dias em superfícies.

Esse vídeo produzido pelo New York Times mostra a importância do isolamento social para frear o contágio pelo novo coronavírus. Alguns dados do texto (em inglês): o vírus pode viajar por até oito metros ao sair do corpo de alguém que tossiu, misturado a gotículas de saliva e catarro.

Se as gotículas mais pesadas caem no chão, as menores podem ficar suspensas no ar por até vários minutos. E, mesmo que a pessoa infectada não esteja tossindo, apenas ao falar por cinco minutos numa sala fechada ela espalha uma quantidade de saliva equivalente ao de um quarto de colher de chá – a mesma que expelimos ao tossir.

Como prevenir a contaminação pelo coronavírus?

O jeito mais seguro é ficar em casa sempre que puder. Se você estiver doente ou tiver tido contato próximo com alguém doente ou com suspeita de covid-19, fique em isolamento total.

Se você precisar sair de casa, é necessário que use uma máscara, não toque em outras pessoas e lave as mãos várias vezes ao dia, especialmente depois de tocar em objetos em que outras pessoas colocaram as mãos. Este vídeo mostra como fazer isso de maneira eficaz:

Álcool 70% – em gel, não líquido! – também é eficaz quando não houver como lavar as mãos. Mas lavá-las é o melhor jeito de eliminar o coronavírus. Bactérias, vírus e outros microorganismos são protegidos por uma capa de gordura que é destruída pela água com sabão. Com isso, eles ficam indefesos e morrem rapidamente.

E não se deve usar sabonetes bactericidas. Como o uso indiscriminado de antibióticos, ele podem fazer bactérias se tornarem mais resistentes.

Além disso, se acostume a não tocar nos olhos, nariz ou boca se não estiver com as mãos lavadas.

Cubra a boca e o nariz (idealmente, usando o cotovelo, não as mãos) quando for espirrar ou tossir. Se tiver um lenço de papel disponível, use-o para cobrir a boca e evitar que as secreções se espalhem. Jogue o papel fora, em lugar adequado, em seguida.

Também é importante limpar e desinfetar objetos e superfícies que são tocados com frequência – principalmente se eles forem compartilhados.

Devo usar máscara para me proteger? Quando?



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